macaquinha

Com uma gargalhada bem sonora e atitude semipositiva e que se foda quem pense mal... Como eu costumo dizer: Eu sou mais eu sem ninguem!! Hei-de ser sempre esta, a mesma de sempre e pendurada na corda bamba da vida sempre fazendo macacadas e figuras tristes.... hahahah

Monday, July 06, 2009

Incubadora de amor

O nosso amor vive numa incubadora à espera de nascer. Às vezes sinto que a qualquer momento ele pode despertar para nos dar a viver melhores tempos das nossas vidas. Às vezes tenho medo que isso aconteça, às vezes ponho-me a pensar como seria se isso acontecesse.

Thursday, June 18, 2009

Metade – Oswaldo Montenegro

Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

Hoje apetece-me um beijo teu

Às vezes, só mesmo às vezes, o corpo pede por dor, pela dor física de te ter. É como se a tua ausência me doesse fisicamente, entendes? Desde que deixaste a casa nada mais voltou a ser como era; por mim já passaram muitas casas, vários empregos, várias pessoas. Ainda não consegui encontrar em nenhuma mulher ou nenhum outro homem aquilo que sentia contigo… Por mim o mundo podia acabar que já pouca importância tem. O que eu queria mesmo era estar contigo, poder sair de mão dada a rua só para beber um café como fazíamos quando estávamos juntos. E depois voltar pra casa e ficar a ver um DVD pirata sobre qualquer coisa enquanto queimávamos um maço atrás do outro e conversávamos sobre a banalidade das coisas como se fosse um tema do outro mundo, o descobrimento da ciência itself… Como era bom… Tenho saudades tuas, pah. Tenho saudades de estar bem, de me sentir bem. Tenho saudades de gostar de ti e tu de mim. Hoje apetecia-me um beijo da tua boca, daqueles que me faziam levitar, com o coração aos pulos, que me davam ar e acalmavam a minha alma, daqueles beijos que me sabiam tão bem e me faziam ter medo de te amar tanto. Hoje tenho muitas saudades do teu olhar compreensivo que me dizia "Amo-te bebé" e ao qual eu respondia "Eu também" com um sorriso de orelha a orelha. Hoje apetecia-me abraçar-te quando chegasses do trabalho. Hoje apetecia-me um daqueles chocolates quentes do Jd ao teu lado, mesmo que os teus amigos estivessem lá ao pé a mandar bocas infelizes. Hoje mesmo que chovesse eu sairia a rua pra passear a beira-mar de câmara em punho como fizemos na Figueira. Hoje só queria ser bela aos teus olhos. Hoje apetecia-me imenso estar contigo pro resto das nossas vidas….

Sunday, June 14, 2009

dx

La tua luce ha aperto il mio cuore
illuminandolo di gioia.
Nuove parole vorrei inventare,
parole che vorrei trovare
quando l'orgoglio mi fa tacere,
quando la notte mi fa pensare.
Un dolce bacio,
una tremante carezza
che vorrei cercare,
che vorrei scoprire,
quando tutto viene a mancare
quando tutto non può finire,
e tutto quello che non sono riuscita a dire
vorrei lo sentisse sussurrare
direttamente il tuo cuore
nell'irreale silenzio di un bacio

Tuesday, June 02, 2009

If you ask me? I would say so

Acredito que a solidão leve alguém a definhar. Chega e instala-se no coração das gentes enquanto as suas raízes crescem e se aprofundam na alma humana. Acredito que se pode morrer de solidão, que ninguém está livre de um dia ser por ela abraçado e lentamente consumido pela sua companhia envenenada. Ela chega, às vezes sem aviso e quando nos damos conta ela já se instalou, criou raízes e pôs o seu veneno para actuar. De repente começas anotar que o barulho lá de fora é muito maior do que era antes, que o silencio hoje se torna mais pesado e mais pesado fica à medida que os dias passam, que a casa onde moras é terrivelmente maior do que imaginavas, que a escuridão da noite é muito mais pavorosa, que a comida começa a sobrar. E lentamente vais deixando de usar todos os compartimentos da casa, começas a atrasar o regresso a casa, começas a ligar o rádio e a TV assim que chegas, começas a comer cada vez menos e a dormir cada vez mais, até que chegas ao ponto onde nunca desligas a TV, começas a acumular os pratos, os talheres e copos sujos no chão do teu quarto até já não haver mais espaço por onde caminhar, já não sais da cama e muito menos pões o pé na rua e por isso deixas o gás acabar, a comida acabar e consequentemente deixas de tomar banho e escovar os dentes, deixas de te pentear e deixas de comer. O telemóvel toca e a caixa postal se enche de emails. Desligas a TV, tapas-te como os cobertores e fechas os olhos. E és só tu. E a solidão. Ela ganhou. Deixaste de existir. O corpo de bombeiros deita a porta abaixo, o cheiro a ovos podres invade as suas narinas e inanimado, sem vida, frio e desfigurado é encontrado aquele que um dia foi o teu corpo. É assim que age a solidão; devagar mas com segurança. Se me perguntares a mim? Sim eu acredito piamente que a solidão pode matar.

Tuesday, May 19, 2009

Diz-me lá, quero saber; Como é a vida desde essa margem?

Não. Não é egoísmo teres aquilo que mais desejaste e pelo que mais lutaste nestes últimos tempos e mesmo assim desejar dormir abraçada a alguém que te dê o carinho de que careces. Não me parece nada egoísta que tu, tendo passado pelas privações e provações pelas quais passaste sintas necessidade de afecto.

És uma lutadora, mas isso não faz de ti insensível, és uma mulher extremamente doce, do tipo manteiga derretida, mas isso não faz de ti o alvo perfeito para que todos se armem em parvos e reúnam forças para te infernizar a vida. És uma mulher que não soube fazer tudo o que os outros queriam, contrariaste o mundo e, mesmo sabendo um pouco do que te esperava lutaste e remaste até a outra margem. Diz-me lá, quero saber, de que lado a vida é mais bela? Não, espera. Não respondas, já sei a resposta, soube-a mesmo antes de saber a pergunta. Soube-a há uns anos, e confirmei-a quando desatei a chorar convulsivamente sentada na beira da tua cama.

Sei que o bem que tens é o mais desejado, o mais importante e talvez por isso mesmo o mais difícil, mas também sei que farias tudo de novo, com a mesma convicção de que estavas no caminho certo. E adivinha, minha linda. Estavas mesmo no caminho certo.

Hoje olho para ti e vejo uma mulher, uma grande mulher, decidida, lutadora, cheia de afecto para dar, que pode encher a boca a gabar-se porque tem motivos para isso. E por tudo isto és eleita a minha segunda heroína, a primeira já sabes, é a minha mamã, mas o segundo lugar no ranking to dedico exclusivamente a ti, por teres vencido todas as batalhas sem nunca deixar que isso te afectasse a essência, aquela essência que numa noite qualquer de um Novembro qualquer eu conheci e pela qual me enamorei.

Eles nada sabem, não te merecem e se por mim fosse iria até aí raptar-te para que pudesses tirar pelo menos uma folga...

À espera que as minhas pernas me levem até ti para resolver esta merda

Acho que sempre estive aqui, mesmo depois de teres ido embora. Pelo menos não me lembro de ter sentido tanta falta tua ao ponto de ter de sair de mim para te poder encontrar, mesmo embora tenha doído como o caralho. Levei apenas oito horas a poder racionalizar tudo e organizar a informação na minha mente e pô-la de volta ao seu pleno funcionamento. Fiz uma espécie de recapitulação dos episódios que vivemos, perdão, vivi ao teu lado. Sim, porque sempre te tive a partes, nunca por inteiro. Sempre soube que estar contigo era entrar numa roda-viva de filmes e esquemas estranhos, mas achei que poderia compensar, porque quando estavas era bom, foda-se era mesmo bom! Mas quando já não estavas por perto já não tinha assim tanta piada. Sempre soube que chegaria o dia em que um dos dois se fartasse, sempre dei mais probabilidades a que essa pessoa serias tu e, de facto, não me enganei.

Hoje que me ponho a pensar naquele fim-de-semana e já não sinto a mesma dor, aliás, sinto que não tenho a menor vontade de te ver, chego até a ponderar a hipótese de deixar o assunto e cagar pra tua raça. Afinal de contas o que é que eu tenho MESMO para falar contigo? Só de pensar que vou ter de olhar para a tua cara de mosca morta e ouvir as tuas falinhas mansas já me dá um fanico... Acho que melhor fecho-me em casa de quarentena até que me passe esta indisposição que me dá de cada vez que me lembro que tenho que falar contigo...

Esperando a que mis piernas tengan las fuerzas de llevarme hasta ti para resolver lo que aun me falta

Desde que te fuiste creo que siempre he estado aquí... No me acuerdo de haber salido de mi para volver a encontrarte. Perdí el regalo de tu compañía y esa fue una realidad dolorosa que rápidamente acepte; me bastaron apenas 8 horas de pensamiento fijo en todos los pequeños detalles y momentos, una breve recapitulación de nuestra pequeña historia, desde el fin hasta el principio terminando en el final que se conoce y no ninguno más.

Desde siempre supe que te tenía a mitades, a veces ni a mitades te tenia, siempre supe que estar contigo no era la opción más correcta, pero también siempre supe que de un día para el otro irías desaparecer de mi día a día. Seguramente ya adivinaba lo que podría llegar a sufrir si un día te despertaras y me dijeses que ya no daba mas. A su tiempo vino ese día, o mejor esa noche.

Pero no, si lo que quieres saber es si me gustaría volver a verte te diré que no, ya nada en ti me despierta la atención. Y ahora que me tienes aquí, casi vecina de tu puerta, con asuntos pendientes contigo las ganas de tocarte a la puerta que antes tenia ahora se me van, como si sufriese de una alergia fatal. Me incomoda pensar que aun tengo que resolver lo que sea contigo, me cuesta pensar que te voy a tener que ver la puta cara de "yo no fui" que me vas a poner, me revuelve las tripas saber que voy a tener que oírte con tus palabras falsas como si fueran la ultima verdad. Mientras esta reacción alérgica no me pasa mejor me quedo en casa e así evito ponerme peor ahora que casi ya me siento mejor de la adicción a ti.

Dor

Incomoda esta presença soturna que me cerca quando me dou conta que no final do dia não vou dormir com o teu braço servindo de encosto ao meu pescoço. Dói na pele, cada centímetro de pele que foi tua, que tocaste com as pontas dos dedos, cada recanto de mim que saboreaste com a língua, cada milímetro da minha existência material que tocaste com cada milímetro da tua... Incomoda, dói, pica por todo o meu interior sem saber de onde vem esta estranha sensação. Toda eu sou dor; doem-me os olhos de tanto chorar, os lábios de tanto os morder, a garganta que parece que tem um nó cego, doem-me os braços de me abraçar na busca de algum alívio, dói-me o corpo que te dei: mãos e pés, pernas e dedos, ancas e seios, doem-me as pontas dos dedos, doem-me as costas de me curvar em posição fetal para aliviar esta dor que sinto dentro, no peito, no coração, na alma.

Incomoda este vazio no estômago que não me deixa dormir, que me arranha a mente quando tento racionalizar tudo o que se pode ter passado na minha ausência, nas minhas costas, sem que eu me desse conta de nada, provavelmente mesmo debaixo do meu nariz...

Nem fazes ideia do quão difícil se torna; abraço a almofada enquanto me encolho toda quase imaginado que a almofada és tu e é como se a realidade se personificasse num corpo de mulher e essa mulher com ar grave e sério se sentasse na cadeira mesmo em frente à minha cama para me chamar à razão e é justamente nesse momento que me lembro que já não estas aqui e eu não vou poder encostar a minha cabeça no teu ombro, fechar os olhos e dormir nua encostada a ti pele contra pele, suor teu na minhas costas...

Tenho o cheiro dos teus pés nos meus ténis, tenho o cheiro do teu suor entranhado na pele, o sabor do teu sexo nas minhas papilas gustativas ainda perdura e tenho a ausência de ti, a dor dessa ausência que veio do nada, sem motivo ou causa justa. Tenho as tuas palavras ainda gravadas na memória do meu telemóvel, o som da tua voz às vezes ecoa na minha mente e em sonhos tenho-te a ti ao meu lado, mas só em sonhos; sonhos que me fazem vibrar, estremecer, suar, para logo despertar com a sensação de ter levado um murro no estômago, mesmo em cheio tipo "bonzai".

Saturday, April 25, 2009

Donna Maria - Dois Lados Do Mesmo Adeus

Caem como folhas
Lágrimas do seu rosto
Sua vida antes desta
Deixou-lhe um desgosto
Entre dois suspiros
Sobe-lhe, na face
Sem favor
Abre-se a janela
Tenta um disfarce
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Deixo-me ficar
Nunca quis saber
Nunca quis acreditar
Que irias partir
Nao podias ca ficar
Nunca quis escutar
E muito menos quis ouvir
O teu silencio que avisava
A intenção de não voltar
Podes crer
Bem que me disseram
Para nunca me dar
A uma pessoa ou a um lugar
Podes crer
Se um homem nunca chora
De que servem estes olhos
Se não podem mais te ver
Queria ver
Queria saber
O que fazias tu
Que estas aqui a observar
Estas a ver
Estas a perceber
Pode ser que um dia
A gente volte a se encontrar
Agora embora,
Agora sem demora
Deixa-me ficar aqui sozinho para pensar
Agora agora
Que a minha alma chora
Como diz algum
Vou me perder pra me encontrar
Esse choro triste
Desespero seu
Pra tentar dizer
Nada se perdeu
Pede-me que fique mais
Por um segundo eterno
Como se quisesse ter
O meu beijo terno
Aperta-me a mão
Ri por um instante
Deixo-me ficar
Só por esse instante

Traição

Tenho estado sempre aqui presente, esperando por ti. Desde sempre tive a certeza que toda a minha vida tinha estado esperando por ti e por isso não hesitei em assumir uma relação contigo quando me disseste que querias algo mais, que já estavas cansado de ser só meu amigo colorido e que me querias só para ti, querias que eu fosse a tua coisa boa, só tua. Naquele momento, e durante muito tempo, tive a perfeita noção de que aquela era a decisão correcta, e que tu, defeitos incluídos, eras a pessoa com quem eu queria ficar para o resto da minha vida. Sentia-me incrivelmente feliz por acordar ao teu lado, quando me enviavas alguma mensagem ou ligavas do escritório só para me dizer que já estavas a morrer de saudades do meu calor. Tudo aquilo era o que eu sempre tinha desejado mesmo sem nunca o ter assumido... E isso tudo continuava a fazer-me feliz mesmo quando te ausentavas naquelas viagens de trabalho e eu ficava em casa todo o fim-de-semana esperando pelo teu regresso…

Mas as viagens foram tornando-se cada vez mais constantes e já não tinhas tempo para os meus telefonemas e eu tive que me voltar a habituar a dormir sozinha todas os fins-de-semana, às vezes toda uma semana. E as esperas foram ficando cada vez maiores e a minha saudade começava a doer-me nos ossos e já não eras tu a minha habitual companhia dos sábados, nem dos cafés ao meio da tarde, mas sim o Paulo. O mesmo Paulo que nos apresentou, o teu amigo de infância, esse Paulo era agora o meu melhor amigo, o meu confidente que sempre ouvia os meus queixumes sobre a tua tão pouca presença... O café da tarde já não era teu e meu, era antes meu e dele.

De cada vez que voltavas pra casa o meu coração já não batia com a mesma força do início, os meus poros não deixavam transbordar a mesma percentagem de emoção de antes e a tua presença foi-se tornando, pouco a pouco, um acessório na minha vida...

Quando íamos ao centro tomar o café da tarde o Paulo já estava sentado à mesa esperando por nós... O café da tarde já não era de nós dois, era antes de nós três.

Um dia, aliás uma noite, tinha bilhetes para o teatro, era a estreia, tínhamos combinado de nos encontrar a porta porque tu chegarias directo de Lisboa onde tinhas ido tratar de uma papelada na sede da empresa, mas nessa noite, onde a brisa soprava ao de leve e fazia o meu vestido novo, comprado especialmente para aquela noite, dançar, tu não apareceste à hora marcada e eu, cansada de esperar que viesses, entrei e acabei por assistir à peça sozinha. Quando saí e liguei o telemóvel não recebi nenhum relatório de entrega de todas as mensagens que te enviei. Ainda pensei em ligar-te, mas pelos relatórios ainda pendentes sabia que tinhas o telemóvel desligado, então decidi ligar ao Paulo para que me desse uma boleia para casa, podia ter chamado um táxi, mas sentia-me só e sabia que a sua companhia me iria fazer bem, sempre tão bem disposto, sabia que me iria animar. Liguei-lhe e em menos de nada ele apareceu, falamos do acontecimento e em vez de me levar para casa convidou-me a uma festa de aniversário de uma amiga, onde me pude desligar um pouco e passar um bom bocado. Quando a festa terminou já íamos tocados e, no escuro da noite, ao ver-me ali chorando a tua ausência, no silêncio do carro, um beijo aconteceu...

Aconteceu um beijo e depois outro e depois outro e, ali, com o carro parado na berma eu e o Paulo fizemos amor. Depois dessa noite, na manhã do dia seguinte acordei contigo ao meu lado e, ao ver-te ali deitado, lembrei-me do que tinha feito, mas, apesar do que eu creia, não senti remorsos ou culpa, senti apenas que, naquele momento estava um perfeito estranho dentro da minha casa, deitado na minha cama.

Depois daquela noite vieram mais noites, vieram mais dias até um ponto onde tudo aquilo tinha deixado de estar sob o meu controle. Às vezes parava para pensar e achava que não deveria estar a fazer aquilo, que tu me amavas e que a minha traição a ti não podia prolongar-se mais no tempo. Tentei várias vezes terminar esta relação proibida, mas sempre sem grande sucesso pois quando tu não estavas, e estavas cada vez menos, eu corria para os braços do Paulo, para a cama dele e o meu mundo ganhava outra cor; tudo o que longe dele era pesado, ao seu lado se tornava etéreo e se dissolvia no ar...

Um dia chegaste de surpresa a casa, estava eu já vestida para ir ao cinema com o Paulo. Chegaste e elogiaste a minha indumentária, sorriste para mim com aquele sorriso rasgado que fazia tempo eu não tinha o prazer de ver, olhaste para mim e disseste " Vamos dar uma volta, hoje sou só e todo teu" mas eu recusei, disse que não podia, que tinha um compromisso inadiável, que hoje quem não podia era eu, que enquanto eu não voltasse fosses tratando de papelada como era o costume ultimamente. Disse-te aquilo tudo com a intenção de picar bem dentro, de deixar marca, com o intuito de que notasses que tinhas estado muito ausente e distante. E tu notaste-o. Sentiste a picada, pela expressão do teu olhar, e nesse instante, apercebeste-te que me tinhas negligenciado demais, sem reparação possível, sem emenda...

E foi por isso que te trai...

Wednesday, April 15, 2009

Filme das 15:38

Acabei de ver um filme que me impressionou muito pela positiva e fez-me pensar em ti… Estranho como há certas coisas que me fazem pensar em ti…

Estou aqui, sentada a pensar e escrever sobre ti, para ti, mesmo que não venhas nunca a ler este texto.

Gosto de ti e tenho tido cada vez mais certeza disso à medida que as horas que passam fazem os dias passar. Tenho saudades tuas… A minha pele sente a falta do toque da tua, o meu nariz sente falta do teu cheiro, a minha boca anseia pelos teus beijos e toda eu sou só saudades…

Não sei se me consigo preparar para estar só contigo, nem sei até que ponto isto vai durar, mas sei que é contigo que eu quero estar, mesmo que seja só uns dias por semana, mesmo que sejam noites apenas, mas quero estar contigo. O carinho que senti por ti da primeira vez que te vi foi aumentando e cresceu tanto que hoje a saudade me faz doer os ossos… Ponho-me a pensar e deduzo que é mágica a forma como os nossos dedos se entrelaçam quando damos as mãos, é mágica a respiração descontrolada que dantes me dava medo e agora me causa desejo, é mágica a maneira como todo o teu ser encaixa dentro de mim…

Mesmo que magoe outras pessoas, mesmo que não entendam isto que eu sinto por ti, mesmo que eu não o consiga compreender, eu SEI que isto é verdadeiro. Pode deixar de o ser daqui a algum tempo, mas HOJE eu SEI que é verdadeiro. E por isso mesmo quero poder vivê-lo intensamente como vivemos aquelas noites fugidas às escondidas no teu quarto, onde nada mais para mim teve importância enquanto fazíamos amor. Nessas noites em que fizemos amor a chuva caiu, o vento soprou com fúria e as pessoas lá fora caminharam apressadas para qualquer destino incerto, mas nós apenas fazíamos amor. E o amor que fazíamos crescia e transbordava de mim para ti, desde dentro dos nossos corpos suados, brotando por todos os nossos poros…

É isto que eu quero: ser tua, ser só tua. E à medida que esta carta de amor ganha forma mais me dou conta que caí num jogo de sedução que eu mesma criei e agora vejo que perdi para o jogo e me encontro rendida… Rendida aos teus olhos, aos teus beijos, ao encanto que os meus olhos viram em ti…

- E agora? - Perguntas tu… - Que faremos em relação a isto tudo?

- Não sei, meu bebé… - digo enquanto dou mais um bafo do meu cigarro.

Não sei mesmo. Sei que o medo que tu tens eu também o sinto, mas está a saber-me tão bem estar assim, neste estado de paixão, que por agora não quero nem pensar no que poderá vir a ser depois…